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BEM-VINDO
O garoto Bilal (Firat Ayverdi) tem dois grandes sonhos
na vida: chegar à Inglaterra para jogar pelo Manchester
United e também encontrar a namorada, Mina (Derya Ayverdi),
que não vê há vários meses. Um problema é que ele está
em situação ilegal na França, depois de passar três
meses caminhando entre o Iraque e o país europeu. Agora,
outro problema à sua frente: cruzar o Canal da Mancha
para finalmente chegar ao Reino Unido.
Este é o mote de Bem-Vindo, de Phillipe Lioret.
O drama de Bilal retrata bem o que sofrem os imigrantes
na Europa, principalmente com o preconceito. Numa cena
emblemática, após um grupo de imigrantes ser impedido
de entrar num supermercado, sob o olhar indiferente
das pessoas, um dos personagens centrais da trama diz
para outro: "Por quê você não fez nada?" e ouve como
resposta: "O quê eu poderia fazer e, além do mais, não
quero arranjar problemas", para ouvir em seguida: "Acho
que terei de comprar um livro de história para você!".
Chocante.
Voltando a Bilal, ele quer atravessar o Canal da Mancha,
que separa a França da Inglaterra, ganhando o apoio
do professor de natação Simon (o ótimo Vincent Lindon),
que mesmo sabendo estar indo contra a lei e com uma
separação incômoda em sua vida, não desiste de ajudar
o garoto de 17 anos. Bilal, não bastasse a perseguição
na França, ainda vem de uma etnia perseguida no natal
Iraque: ele é curdo, povo perseguido cruelmente no período
da ditadura de Saddam Hussein.
O término de Bem-Vindo é marcante, mostrando
um jogo de futebol entre o Manchester United e o Lyon.
Pode-se ali fazer uma leitura de que, apesar da crescente
xenofobia na Europa, o futebol, com sua crescente importação
de jogadores de todas as partes do mundo, supera as
barreiras do preconceito. Pelo menos dentro das quatro
linhas...
O GUERREIRO GENGHIS KHAN
O cineasta russo Sergei Bodrov criou um épico à moda
antiga, que recorda muito, pela sua forma, aqueles clássicos
dos anos 1960 como Lawrence da Arábia, El
Cid e Dr. Jivago, entre outros. O Guerreiro
Genghis Khan, que pretende o diretor transformar
em trilogia, retrata a ascensão do mongol Temudjin (na
infância Odnyam Odsuren, e na fase adulta o excelente
ator japonês Tadanobu Osanu), que aos nove anos já mostrava
ter muita personalidade. Primeiro, contraria o pai e
escolhe a própria noiva. E depois, ao ficar órfão, após
o assassinato do pai, foge, pois passa a ser jurado
de morte por aqueles que passaram a dominar sua tribo.
A vida de Temudjin passa, então, a ser um turbilhão:
prisões, escravidão, fugas, mais prisões. Porém, sua
determinação em ser um homem livre e ter sua própria
clã, além de recuperar sua noiva, a bela Borte (Khulan
Chuluun), o fazem superar todos os percalços.
O filme vai somente até Genghis (que significa ferocidade,
na língua local) Khan unir várias tribos, após uma épica
batalha contra outras tribos mongóis. Como se sabe,
depois ele conquistaria a maior parte do mundo conhecido
na época, entre os séculos XII e XIII. O Guerreiro
Genghis Khan prima por excepcionais cenas das estepes
da Mongólia - e vale a pena citar que apesar de ser
um dos maiores países em extensão territorial do mundo,
ele tem hoje apenas 3 milhões de habitantes -, com batalhas
filmadas em câmera lenta, o que por muito diminui o
impacto da violência para aqueles que não suportam sangue.
A música também é algo a destacar, com seu canto gutural
típico da região, que perpassa cada minuto deste belo
filme de guerra, sangue, amor e vingança (desculpem-me
o clichê).
BEM-VINDO (Welcome, França, 2009)
Direção: Phillipe Lioret.
Elenco: Firat Ayverdi, Vincent Lindon.
O GUERREIRO GENGHIS KHAN (Mongol, Alemanha
/Cazaquistão/ Mongólia/ Rússia, 2007)
Direção: Sergei Bodrov.
Elenco: Tadanobu Asano, Khulan Chuluun, Ba Sen,
Odnyam Odsuren, Amadu Mamadakov.
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