- DEIXA ELA ENTRAR

- CHE - A GUERRILHA

Chico Izidro
 
 

DEIXA ELA ENTRAR

A moda deste final da década são os filmes e seriados sobre vampiros. Eles pululam por aí. Estes seres da noite, que sempre estiveram presentes em nossa imaginação graças a Bram Stocker e seu Drácula. Crepúsculo, que iniciou uma cinessérie vampiresca teen, é adocicada demais. Em compensação, o maduro seriado True Blood convence com seu humor, suspense e erotismo.

Só que nada supera DEIXA ELA ENTRAR (Lat den Rätte Komma in, do sueco Tomas Alfredson). É uma bela história de amor entre o solitário garoto Oskar e a vampira Eli, que tem 12 anos e alguma coisa - na realidade, ela tem muito mais idade, só que não sabe precisar.

Os dois, numa gélida e nevada Estocolmo dos anos 1970, se confortam, pois ele sofre o pavor do bullying no colégio, vítima de três valentões que o espancam a toda hora. E Eli só pode sair à noite, devido à sua condição vampiresca. Sendo assim, acabam se encontrando, e de uma amizade, nasce algo mais forte. DEIXA ELA ENTRAR, no entanto, nunca apela, mesmo nas cenas em que os vampiros atacam os seres humanos. O casal mirim de atores Kare Hedebrant e Lina Leandersson é um show à parte, que comove com atuações espetaculares. O nome do filme remete à tradição de que um vampiro só pode entrar na casa de um humano se este convidar a criatura.



DEIXA ELA ENTRAR (Lat den Rätte Komma in, Suécia, 2008)

Direção: Tomas Alfredson.

Elenco: Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar.

Cotação: *****



CHE - A GUERRILHA

CHE - A GUERRILHA é a continuação de Che, de Steven Soderbergh, lançado no começo deste ano. Nas suas primeiras duas horas e meia, Soderbergh recriou a vitória da revolução cubana orquestrada por Fidel Castro (Demién Bichir) e Guevara (Benicio Del Toro). Agora, na sua parte final, o filme se prende totalmente na tentativa de Che de implantar a revolução na Bolívia, um país totalmente atrasado em 1966/67 (aliás, ainda é atrasado), partindo da selva, como fizera no Caribe. Como se sabe, os camponeses, por mais que vivessem um estado de extrema pobreza, não embarcaram na utopia do médico argentino.

A visão de Soderbergh sobre Che é por demais simpática. Não aparece ali aquele guerrilheiro cruel, que não perdoava os seus inimigos. É visto no filme quase como um santo, e nisso CHE - A GUERRILHA peca (desculpem-me o trocadilho). O diretor ainda descarta a presença fracassada de Che no Congo e sua participação no governo de Fidel - quando ele não vacilava em mandar os adversários do regime para o famoso "paredón".

Porém a interpretação de Toro, coadjuvado por Franka Potente (Corra Lola, Corra), Joaquim de Oliveira e Catalina Moreno, entre outros, é primorosa. Definitivamente, o porto-riquenho Benício Del Toro (Traffic e Coisas que perdemos pelo caminho) nasceu para ser Ernesto "Che" Guevara. Detalhe: Matt Damon faz uma pequena aparição como um padre e tem mais falas do que Rodrigo Santoro, que vive o irmão de Fidel, Raúl Castro, atual governante de Cuba. Aliás, o brasileiro nem fala tem: entra mudo e sai calado.

CHE - A GUERRILHA (Che: Part Two, 2008)

Direção: Steven Soderbergh.

Elenco: Benicio Del Toro, Demián Bichir, Joaquim de Almeida.

Cotação: ***