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HORRORES
EXPRESSOS
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Adriano
de Oliveira
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Exibido exaustivamente na TV aberta durante as décadas
de 80 e 90, "O Expresso do Horror" ("Horror
Express", Grã-Bretanha/Espanha, 1973), alçou o posto
de terror cult, não apenas por tal superexposição,
mas também por algumas boas idéias ali contidas e, em
contrapartida, momentos trash memoráveis.
A história do filme começa em 1906, na Manchúria, quando
o ambicioso professor Saxton (Christopher Lee, "a lenda
número um da produtora Hammer") encontra, congelado em
uma caverna, um fóssil de um ser humano primitivo. O transporte
do artefato antropológico torna-se então um verdadeiro
pesadelo, pois a tal criatura ganha vida a bordo do vagão
de carga do trem transiberiano de passageiros que a conduz,
passando a matar os que cruzam o seu caminho através de
uma curiosa arma: um olhar luminescente absorvedor de
vidas, conhecimentos e memórias. Adiante, ela consegue
invadir corpos também. Com isso, fica evidente que o monstro
não é tão arcaico quanto poderia se supor, como comprovam
adiante Saxton e o médico Wells (Peter Cushing, "a lenda
número dois da produtora Hammer") - trata-se de um viajante
sideral que fora abandonado em nosso planeta há tempos
imemoriais.
"O Expresso do Horror" ganha pontos ao antecipar
elementos de "O Enigma de Outro Mundo" (1982) de
John Carpenter, ao passo que dialoga com um outro filme
de seu mesmo ano de produção, porém bem menos conhecido:
"Pânico nas Alturas", uma produção para a TV americana
estrelando William Shatner (sim, o Capitão Kirk
de "Jornada nas Estrelas") e Chuck Connors
("The Rifleman", o próprio), onde
a temática é praticamente a mesma, mudando o alien
por um objeto dotado de macabros poderes sobrenaturais
- a saber, um altar druida - e o meio de transporte sobre
trilhos por um avião. Também traz o mérito de reunir,
no mesmo filme e do mesmo lado, Peter Cushing e Christopher
Lee, a dupla de inimigos Van Helsing e Conde Drácula
de vários filmes da Hammer como em "Horror de Drácula"
(1958), "Drácula, o Príncipe das Trevas" (1966)
e "Os Ritos Satânicos de Drácula" (1973). Faz ainda
rimas divertidas com o outrora polêmico livro "Eram
os Deuses Astronautas" (1968) do suíço Erich von Däniken
e com o histórico personagem russo, monge Rasputin.
A face trash do filme, entretanto, o compromete:
a maquiagem é muito precária, a montagem não se acha das
mais felizes, e são várias as passagens em que se percebe
sem fazer esforço algum que o trem retratado é de brinquedo,
numa filmagem tosca de miniaturas. Os créditos iniciais
são tão sofríveis que, num ato tremendamente equivocado,
se torna impossível ler o nome do diretor de fotografia.
Os atores andam esbanjando canastrice em cena, "amparados"
por um roteiro cada vez mais inconsistente a cada minuto
de running time. A participação de Telly Savalas,
o notório Kojak da popular série de TV setentista,
além de dispensável, só pode ser vista como um elemento
cômico, a exemplo de sua leitura de Pancho Villa na produção
homônima de 1972. Mas bem antes de Savalas entrar em cena
disparando risadas no espectador, o filme claramente apresenta
que não se leva a sério, com piadas que vão da ironia
ao gosto duvidoso.
Porém, mesmo com suas fraturas, "O Expresso do Horror"
ainda é superior a muitos filmes de terror contemporâneos
que têm freqüentado nossas salas de cinema e feito platéias
perderem tempo e dinheiro. Dada a escassez de idéias dos
roteiristas atuais e as possibilidades de efeitos especiais
modernos, é do tipo que merece um remake.
O EXPRESSO DO HORROR (Horror Express, Grã-Bretanha
/ Espanha,1973)
Direção: Eugenio Martin.
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Silvia
Tortosa, Julio Peña, Telly Savalas.
COTAÇÃO: ** |
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