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MAIS
UM FILME DE GRANDE ROUBO, MAIS UM
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Adriano
de Oliveira
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E a crise de ideias em Hollywood continua. Quando lá
não estão fazendo remakes ou usando HQ's como storyboards
prontinhos, o negócio é reciclar elementos prévios e seguir
a cartilha básica de um filme de subgênero. Nada de novo
no horizonte, portanto. Cantilena modorrenta que se aplica
a "Jogo entre Ladrões" ("The Code" / "Thick
as Thieves", 2009).
No novo filme da realizadora Mimi Leder ("O Pacificador"
é uma de suas gafes, a direção de alguns episódios da
série de TV "Plantão Médico" na década de 90 um
de seus acertos), pipocam passagens recicladas da maior
parte dos filmes de "mega-assalto" recentes: "Armadilha",
"Assalto sobre Trilhos", "A Cartada Final",
"Onze Homens e Um Segredo" e, principalmente, "Doze
Homens e Um Novo Segredo", entre outros, fazem a grande
feira dos déjà-vu se tornar um evento de proporções
olímpicas. As referências que o personagem Gabriel Martin
(Antonio Banderas) faz aos clássicos do subgênero "Rififi"
e "Topkapi", ambos de Jules Dassin, infelizmente
só ficam na piada. Talvez se utilizadas, aliviariam a
impressão de "já visto" para as plateias mais jovens,
que veem cada vez menos obras fundamentais das épocas
antigas e dariam mais qualidade à obra.
O roteiro de "Jogo entre Ladrões" fica na mesmice,
tem um reviravoltinha no seu final, mas nada que o tire
do lugar-comum.
O filme só surpreende pela trilha sonora bacaninha do
islandês Atli Örvarsson (lembrando Harry Gregson-Williams)
e por uma montagem atraente - algumas vezes rapidinha,
quando isso é preciso -, já que há grande desapontamento
pela direção de Leder, francamente televisiva. Em DVD,
"Jogo..." poderá achar lugar melhor.
É assegurado que Morgan Freeman está nessa pensando no
saldo da conta bancária e pela oportunidade de se divertir,
dizendo frases de efeito como "Alguns nascem para compor
músicas, outros para dividir o átomo; eu nasci para roubar".
Já Banderas, ator estigmatizado como latin lover
em Hollywood, vem para despejar seus tradicionais tiques
e seu ar de, óbvio, latinidade.
A atriz Radha Mitchell, exuberante aos 35 anos de idade,
é a maior das belezas naturais da Austrália: esqueça as
fauna e flora exóticas e impagáveis do país-continente,
suas praias paradisíacas, o típico outback e os
parques nacionais da terra dos cangurus... ela sozinha
bate tudo isso com folga. Aqui, o seu personagem só entra
na história para fazer um inevitável par romântico com
o de Banderas e protagonizar com ele cenas mezzo
calientes. Mezzo, sim, porque aqui você não vai
encontrar a voluptuosidade daquelas envolvendo o mesmo
espanhol e uma endiabrada Rebecca De Mornay em "Nunca
Fale com Estranhos" nem a ousada generosidade da esplêndida
nudez de Radha Mitchell em "Banquete do Amor".
Dona Mimi Leder não põe pimenta na sua cozinha cinematográfica,
ao contrário do que fizeram respectivamente os diretores
Peter Hall e Robert Benton nos supracitados.
Entanto, sempre é divertido ver Robert Forster em cena,
bem como Rade Sherbedgia interpretando pela enésima vez
o papel de um russo, com aquele seu engraçado sotaque.
"Jogo entre Ladrões" não é um bom filme de grande
roubo, também não é uma grande roubada. Tem o seu público,
e fora desse, pode até atrair por um curioso efeito, obviamente
não-intencional: o de ser uma colcha de referências tipo
a da paródia "Todo Mundo em Pânico"... só que "séria".
JOGO ENTRE LADRÕES (The Code / Thick
as Thieves, EUA, 2009)
Direção: Mimi Leder.
Elenco: Morgan Freeman, Antonio Banderas, Radha
Mitchell, Robert Forster, Marcel Iures, Rade Sherbedgia.
Cotação: ** |
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