OS MELHORES FILMES DE 2008
Adriana Androvandi
Jornalista - Correio do Povo
 

- Sangue Negro: A atuação arrebatadora de Daniel Day-Lewis como um magnata do petróleo nos EUA, mostrando desde o difícil início de sua trajetória, coloca o filme como um dos melhores do ano. Além disso, destaca dois pilares da sociedade americana: o capital e a religião protestante. Levou dois Oscars: Melhor Ator (Daniel Day-Lewis) e Melhor Fotografia.

- Wall-E: Esta animação dirigida por Andrew Stanton e lançada pela Walt Disney apresenta não somente um carismático protagonista, o robô-gari que permanece na Terra limpando o lixo quando todos já deixaram o planeta por falta de condições ambientais para habitação, como alerta para perigos não tão distantes para a raça humana: sociedades cada vez mais automatizadas, em que as pessoas acabam se tornando sedentárias e obesas. Além disso, a falta de cuidado com o Meio Ambiente que levou à escassez de recursos naturais no longa-metragem não deixa de ser uma crítica à falta de políticas eficazes atuais para conter a poluição mundial.

- A Vida dos Outros: Este filme alemão ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro narra a história de um agente da Alemanha Oriental que passa a vigiar um dramaturgo. Aos poucos, suas observações vão fazendo com que tome atitudes inesperadas. A cena em que uma capa de livro é aberta no final do longa-metragem é arrebatadora.

- Across The Universe: É difícil que filmes no gênero musical não se tornarem enfadonhos. Mas este, com canções dos Beatles, tem uma trilha sonora que ajuda. Visualmente é bastante rico e criativo. Além disso, revelou o jovem ator Jim Sturgees, que tem tudo para ser um novo John Cusack.

- Batman: O Cavaleiro das Trevas: Apesar do ator Christian Bale ser um dos melhores de sua geração, não foi ele quem roubou a cena como o homem-morcego e sim o vilão Coringa, o falecido Heath Ledger, em uma atuação impressionante. A história apresentada em tons sombrios exibiu reflexões filosóficas talvez não adequadas às crianças que foram assistir ao filme apesar da classificação etária de 12 anos.

- Desejo e Reparação: Um filme de época com uma belíssima fotografia e ingredientes que unem os gêneros romance, épico e drama. Uma história de redenção com diálogos e interpretações muito bons.

- Ensaio Sobre a Cegueira: Houve quem dissesse que o livro homônimo de Saramago era inadaptável ao cinema. Fernando Meirelles não só conseguiu, como apresentou um filme denso e bem produzido. A fotografia em tons brancos e azulados foi um elemento adequado para contar a história da epidemia de "cegueira branca" que acomete a Terra e expõe a barbárie a que o ser humano pode rapidamente retornar.

- Jogo de Cena: O documentário de Eduardo Coutinho apresenta mulheres que ora narram suas vidas, ora são atrizes interpretando-as. Quando a atriz não é famosa, fica difícil saber qual é a verdadeira. Profundo e original.

- Linha de Passe: Mais um filme brasileiro sensível sob a direção de Walter Salles e Daniela Thomas.

- O Caçador de Pipas: Adaptado do livro homônimo, o filme é uma versão mais leve da obra escrita. Apresenta em rápidas pinceladas a história do povo afegão antes do grupo Talibã assumir o poder e o sofrimento sob o seu domínio.

- O Gângster: Um filme que tem a assinatura de Ridley Scott é sinônimo de qualidade. Não é diferente com este, baseado em uma história real sobre o chefão do tráfico de drogas em Nova Iorque nos anos 70 e o policial que o persegue, com belas atuações de Denzel Washington e Russell Crowe.

- Apenas uma Vez: Este é um filme de pequeno orçamento e produção independente. Com direção de John Carney, apresenta uma história de duas pessoas que são especiais para a vida um do outro por um tempo, sem que necessariamente "o felizes para sempre" de romances hollywoodianos seja necessário. Destaque para a trilha sonora com Glen Hansard e Markéta Irglová, em estilo folk irlandês, que foi premiada com o Oscar de Melhor Canção.

- Chega de Saudade: A diretora Laís Bodanzky merece os parabéns por conseguir apresentar um mosaico de histórias e tipos em um único local, em uma história que se passa em uma única noite, durante um baile de dança de salão da terceira idade. A cineasta pesquisou este universo para compor este painel que fala sobre o que todos, independentemente da idade, desejam: serem amados.



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