OS MELHORES FILMES DE 2008
Adriano de Oliveira
Cine Revista
 

Segundo Adriano de Oliveira:

MELHORES FILMES DE 2008 (em ordem cronológica de exibição)

1. Lista Efetiva

- Angel-A: Besson enfoca uma Paris que nunca pareceu cidade tão bela visualmente quanto nesta fábula fotografada em preto-e-branco por Thierry Arbogast.

- Desejo e Reparação: A obra "Atonement" de Ian McEwan ganha uma sensível adaptação por mãos do jovem diretor Joe Wright.

- A Vida dos Outros: Uma história consistente e bem dirigida.

- O Suspeito: Um roteiro corajoso para os padrões americanos se associa a um belo truque narrativo para ganhar a platéia.

- A Espiã: A grande volta por cima de Paul Verhoeven, que não precisou renegar suas características para render a crítica.

- Os Indomáveis: A versatilidade de James Mangold permite a geração de um faroeste milhas à frente de sua versão original.

- Sangue Negro: Grande atuação de Daniel Day-Lewis, e Paul Thomas Anderson mostra ser um dos grandes cineastas de nosso tempo.

- Em Busca da Vida: Um panorama da China contemporânea é o pano de fundo desta história sensível que guarda uma poética cena final.

- Persépolis: A adaptação para a tela grande da graphic novel de Marjane Satrapi é revestida de criatividade e emoção.

- 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias: Melhor exemplar do cinema romeno exibido em Porto Alegre este ano, mostra crueza, tensão e força dramática.

- Estômago: Excelente estreia em longas do paranaense Marcos Jorge, tem forte apoio nas atuações de um elenco inspirado, com destaque para o protagonista João Miguel.

- Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto: Sidney Lumet dá prova de arrojo aos 83 anos de idade, conduzindo um elenco que brilha.

- Fôlego: Kim Ki-Duk se recupera dos desvãos de "O Arco" e reencontra seu cinema essencial.

- Do Outro Lado: Fatih Akin fala de tolerância, globalização... e até brinca de Deus.

- O Banheiro do Papa: É o ápice do "neo-realismo uruguaio", com todas as suas virtudes.

- Falsa Loura: Reichenbach canta a esperança e o desencanto da mulher operária brasileira para além de "Garotas do ABC", fazendo cinema de autor como poucos nos trópicos.

- Desejo e Perigo: Formal e clássico, antiquado até, no modo de filmar, Ang Lee se mostra muito eficiente e inclusive hipnótico ao contar uma história de espionagem, não sem se deixar de permitir a ousar - e muito - para os padrões orientais de moral, em cenas nada comportadas. Embora exibido somente em uma mostra de cinema, sem ter entrado efetivamente em cartaz, é filme digno de ser assinalado nesta lista.

- Cleópatra (2007): O autoralismo de Bressane nos traz uma Cleópatra muito lírica e pouco épica, capaz de fazer corar Claudette Colbert e Elizabeth Taylor com a audácia de Alessandra Negrini no papel-título.

- O Nevoeiro: Frank Darabont e Stephen King, uma parceria mágica que retorna para nos entregar, mais do que uma obra de tensão com final inconvencional, um retrato dos medos humanos passível de render análises mais profundas a partir do mesmo.

- A Culpa É do Fidel!: O embate entre capitalismo e socialismo se reduz a uma criança e seus pais, em painel histórico que nos é apresentado por olhos inocentes. A cena final, quase em plongée, entra para a antologia das mais belas e sutis metáforas do Cinema deste novo século.

 

2. Complemento

Cabem também, em uma segunda escala, destaques para a construção tipicamente lynchiana de Império dos Sonhos, a ação vibrante de O Reino, o cinema nacional para as massas caprichado em Meu Nome Não É Johnny, a nostalgia de Rambo IV, Ponto de Vista e seu estilo "Rashomon", o noir argentino O Sinal, a narrativa bem conduzida de Sean Penn para Na Natureza Selvagem, Os Reis da Rua - policial sintonizado com seu tempo -, a veia altmaniana de O Signo da Cidade, a excelência de duas obras baseadas em HQs: Homem de Ferro e Batman - O Cavaleiro das Trevas, o ecletismo de Cada um com seu Cinema, o velho e bom Benton dirigindo o injustiçado pela crítica Banquete do Amor, a sincronia de música e enredo em Mamma Mia!, Liam Neeson encarnando Charles Bronson em Busca Implacável, a consolidação do talento do diretor e roteirista Richard Shephard à frente de A Caçada, e Selton Mello enquanto diretor fazendo um cinema cheio de referências em Feliz Natal.

 

Confira também a lista dos piores filmes do ano por Adriano de Oliveira.

Para conferir como são as regras gerais de elaboração das listas no Cine Revista, clique aqui.