OS MELHORES FILMES DE 2008
Ricardo Lubisco
Cinéfilo
 

Senhores do Crime

Assim como em Marcas da Violência, vemos aqui um Cronenberg mais sério, não deixando de ser original. O clima obscuro e de intriga constante, somado à grande atuação de Viggo Mortensen, faz de Senhores do Crime mais do que merecedor em uma lista de melhores do ano.



Vicky Cristina Barcelona

Quando se assiste a um grande filme, ainda o percebemos sentados na cadeira do cinema. Observamos os créditos finais desaparecerem de nossa vista, enquanto as luzes lentamente acesas nos indicam que devemos deixar o local. E com o último de Woody Allen foi assim. Leve, charmoso, e alegre. Bom assim.



Mamma Mia

A história é o de menos nesse musical da diretora Phyllida Lloyd. Meryl Streep em grande atuação, pulando, cantando, e dançando as músicas do ABBA. O musical passa algo que muitos filmes com grandiosas histórias tentam, mas fracassam vergonhosamente: alegria.



Wall-E

Um pequeno robô, com uma humanidade gigantesca. Uma animação que surpreende por tratar de temas tão recorrentes nos dias de hoje (como os ecossistemas, o sedentarismo humano), de uma forma tão simples e direta. Impossível se esquecer do querido Wall-E por um bom tempo.



Sangue Negro

Indiscutivelmente um grande filme. Paul Thomas Anderson deixa sua marca em nossas memórias, com cenas épicas, atuações completas, e discussões que levarão um longo tempo até serem finalizadas. Oscar mais do que merecido para Daniel Day-Lewis.



Onde os Fracos Não Têm Vez

Principalmente pelo personagem de Bardem, o filme dá a impressão de se adaptar em um local à parte do resto do Universo. Um lugar mítico, onde temeríamos pagar nossos pecados. Grande filme dos Irmãos Coen.



Na Natureza Selvagem

Emocionante, tão bom quanto o livro, e a grande injustiça do Oscar. Sean Penn acertou em todas as posições de câmera, na trilha sonora, nos atores, na montagem... Se existe algo descartável no filme, é a voz destroçada da irmã de McCandless narrando parte da história. Filme para ser revisto sempre.



A Vida dos Outros

Ulrich Mühe impecável como sempre. Um dos grandes protagonistas dos filmes do mestre Michael Haneke, nos deixou um desfecho de carreira brilhante. Poderia ter o papel interpretado por outros atores, sim. Mas é um prazer vê-lo atuando. Longa-metragem de estréia do diretor Florian Henckel von Donnersmarck. Começou bem!



O Escafandro e a Borboleta

Um filme com uma sensibilidade aguçada. Seja pela forma poética como é contada a história em dados momentos, seja pela forma inventiva com que Julian Schnabel decide apresentar-nos o filme. Só pela forma como o livro que inspira o filme foi concebido, já é digno de extrema atenção.



Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

Um roteiro inteligente, bem montado e bem interpretado, só pode se tornar um grande filme. O grande cineasta Sidney Lumet, nos entrega esta intrigante história, interpretada por Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke.



Apenas uma Vez

Mais um musical do ano. Mais uma surpresa agradável. Filme simples, e cativante por seu estilo despretensioso e amigável. Uma história de amor diferente e bem contada.



Paranoid Park

O sentimento de culpa dá o tom nesse filme de Gus Van Sant. Contada de forma brilhante, a história passeia entre slow motions da câmera, do ponto de vista de um skatista, embalada por uma trilha sonora que inclui Elliott Smitt, dando um clima ainda mais melancólico a toda essa paranóia. Pura arte.



Chega de Saudade

O filme mais recente da diretora Laís Bodanzky, mostra uma noite de baile em um clube de terceira idade, na cidade de São Paulo. Destaque do cinema nacional, com um enredo que por cima pode parecer brega, mas é incrivelmente envolvente e, em certos momentos, emocionante.



Ensaio Sobre a Cegueira

É difícil descrever Ensaio Sobre a Cegueira. Fernando Meirelles criou uma obra visual extremamente impactante. A cena tão discutida de estupro no filme, que não é mostrada, é tão incômoda e repugnante, como seria se as cenas fossem mais explícitas. Um filme além de seu tempo.



Sweeney Todd

O clima sombrio do início do filme é conduzido com perfeição por Tim Burton (que, convenhamos, é mestre em filmes sombrios) até o seu final. Johnny Depp com a voz afinada não decepciona, e o musical se torna cada vez mais interessante com o desenrolar da história. A não ser pela música "Johanna", que quanto mais é cantada, mais irrita.



Batman - O Cavaleiro das Trevas

É o filme do ano, não há como negar. O mais discutido, mais odiado, mais amado, mais rentável, mais venerado. O filme não é perfeito, e tem muitas falhas em seu roteiro. Com a fatídica morte de Heath Ledger, acabou sendo alavancado para o posto de melhor filme do ano para muitas, muitas pessoas. Realmente, Ledger brilha reiventando o personagem do Coringa, e Nolan tem todo o mérito da grandeza do filme, pois vem trabalhando nisso, desde o ótimo Batman Begins. Não poderia ficar de fora da lista.



Juno

Difícil fazer um comentário válido depois de tudo que já foi dito sobre Juno. Fica a minha opinião de um filme simples, e bom de ver. Seja pelo ambiente do filme, pela garota espontânea e sincera que é Juno, e pelas situações que ela confronta quando decide dar para adoção o seu filho que nem nasceu. Um filme que será lembrado por muito tempo.



Linha de Passe

Uma visão clara do cotidiano. Os problemas, envoltos com os sonhos no dia-a-dia. Uma linha temporal interessante e boas atuações, fazem de Linha de Passe um dos destaques nacionais de 2008. Fazendo uma leve comparação com A Casa de Alice, outro nacional de 2008 que lida com o tema "cotidiano", o filme de Walter Salles e Daniela Thomas passeia em campo, e sem impedimento.


Confira também a lista de piores filmes de 2008 por Ricardo Lubisco.

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