- LULA, O FILHO DO BRASIL

- COCO ANTES DE CHANEL

Chico Izidro
 
 

LULA, O FILHO DO BRASIL

Confesso que fui com um pé atrás assistir a LULA, O FILHO DO BRASIL, de Fábio Barreto. O filme carrega o estigma de ser puramente eleitoreiro, em ano de eleições presidenciais. O diretor consegue surpreender ao recriar quase que perfeitamente o Brasil miserável dos anos 1950 e 1960. A história é didática, sem espaços para invenções: começa com o nascimento de Luís Inácio, no sertão pernambucano, em 1945, e segue a trajetória do personagem até as greves no ABC paulista no começo dos anos 1980 (usando por vezes imagens de arquivos). Porém, o diretor esquece de mostrar de onde surgiu o apelido Lula do personagem, além de bombardear grosseiramente o merchandising de uma certa marca de cerveja.

LULA, O FILHO DO BRASIL também tropeça na caracterização de alguns personagens, como o do próprio Lula. Em certas horas, ele aparece com a sua voz característica em virtude da língua presa. E noutros, aliás, na maior parte do tempo, nada de sotaque. Mas o estreante ator Rui Ricardo Dias não faz feio, mesmo com o erro citado acima. O filme é, como sempre, de Glória Pires como Lindu, a mãe de Lula. Suas aparições são sempre desconcertantes. Destaque também para Milhem Cortaz (de Carandiru), que interpreta o cruel e alcoólatra pai do protagonista.

Dizer que o filme incita o espectador a votar no candidato(a) governista é menosprezar a inteligência do espectador, mesmo que o personagem mostrado no filme seja de uma idoneidade completa. Enfim, vale como diversão, mas não como documento histórico.


LULA, O FILHO DO BRASIL (Brasil, 2009)

Direção: Fábio Barreto.

Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Cléo Pires, Juliana Baroni.



COCO ANTES DE CHANEL

Audrey Tautou parece ter nascido para fazer papéis de mulheres "chiques" - talvez uma reencarnação de Audrey Hepburn (até os primeiros nomes combinam). Ela, Tautou, mostra-se estupenda no papel de Coco Chanel, a mulher que revolucionou a moda no começo do século passado.

Aqui, em COCO ANTES DE CHANEL, direção de Anne Fontaine, vemos o começo quase desolador da vida da pequena Gabrielle, orfã de mãe, que é deixada junto com a irmã num orfanato. Aos 18 anos, vai ganhar o apelido que carregaria por toda a vida ao cantar uma música tradicional francesa em boates do interior do país. Ainda não temos a grande estilista, mas Coco já mostrava as qualidades que lhe fariam famosa, ao mesmo tempo que sofria desilusões amorosas, mais por causa de sua posição social do que intelectual.

O filme não poupa críticas ao modo como viviam os burgueses em seu mundinho isolado no começo do século XX, onde o trabalho era coisa a ser evitada. O que importavam era as festas nababescas e os jogos, principalmente a aposta em cavalos. Através de um namorado, Coco tentou penetrar neste círculo, o que só o conseguiria quando famosa, mas isso ficou para outro filme.


COCO ANTES DE CHANEL (Coco Avant Chanel, França, 2009)

Direção: Anne Fontaine.

Elenco: Audrey Tautou, Alessandro Nivola, Emmanuelle Devos, Marie Gillain, Régis Royer.