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MILK - A VOZ DA IGUALDADE
Em Milk - A Voz da Igualdade, o diretor Gus Van
Sant, de Elefante e Paranoid Park, conta
os oito anos cruciais da vida do ativista norte-americano
Harvey Milk, o primeiro homossexual a assumir um cargo
político nos Estados Unidos - mais precisamente o de
supervisor regional em São Francisco, o que aqui pode
ser equiparado ao de um vereador.
Milk é interpretado magistralmente por Sean Penn, que
desde O Pagamento Final (Carlito's Way,
de 1993) tem se mostrado um dos grandes atores da atualidade
(ele também dirige muito bem, vide o belíssimo Na
Natureza Selvagem). Os oito anos de Milk que Sant
leva às telas começam em 1970, quando o então enfastiado
e enrustido quarentão conhece e se apaixona por Cleve
Jones (James Franco, de Homem-Aranha). Os dois
deixam Nova Iorque e partem para São Francisco, cidade
mais liberal e que recém tinha visto terminar o seu
auge hippie. Na cidade californiana, Milk acaba
entrando na vida política e depois do término de seu
relacionamento com Jones, engata outro com Jack Lira
(um irreconhecível Diego Luna, de E Sua Mãe Também
e 171).
Depois de anos de tentativas frustradas, Milk consegue
ser eleito, isso em 1978. Mas mal consegue exercer o
seu cargo: é assassinado pelo colega Dan White (Josh
Brolin, que desde Onde os Fracos Não Têm Vez,
se revelou um ótimo ator).
O filme, aliás, inicia com Milk ao gravador, prevendo
sua morte próxima, pois pisa num terreno arenoso, que
é o de lutar pelos direitos dos gays. O público conservador,
certamente, não vai aprovar tal filme e mesmo poderá
evitá-lo. E a censura já começou quando o dublador oficial
de Sean Penn no Brasil, Marco Ribeiro, que é pastor
evangélico no Rio de Janeiro, negou-se a fazer o trabalho,
pois "foge aos seus princípios" e porque também, se
o fizesse, a patrulha contra ele seria terrível.
MILK - A VOZ DA IGUALDADE (Milk, 2008)
Direção: Gus Van Sant.
Elenco: Sean Penn, Josh Brolin, Diego Luna, James
Franco.
REBOBINE, POR FAVOR
O filme é uma comédia, mas também pode ser considerado
uma ode ao cinema. Rebobine, Por Favor (Be
Kind Rewind, de Michel Gondry, diretor de Brilho
Eterno de uma Mente sem Lembranças) tinha tudo para
ser um trash-movie e até tem um pezinho lá.
O apatetado Jerry Gerber (Jack Black) consegue a façanha
de apagar as fitas VHS - e nada mais anacrônico nos
anos 2000 do que fitas VHS - da locadora do conservador
e sonhador Elroy Fletcher (Danny Glover), que está sendo
cuidada por outro debilóide como Jerry, Mike (Mos Def,
de O Lenhador). Qual a saída que eles encontram
para se safar da fúria de Elroy? Simplesmente refilmar
tudo, mas da forma mais tosca possível. Tipo, pegar
Robocop: Jack Black veste uma fantasia mal-ajambrada
do herói e grava cenas mais toscas ainda. O diabo é
que eles acabam fazendo sucesso e têm de ampliar o número
de títulos, pois conseguem vários fãs, que ficam fascinados
pela locadora. Claro que as filmagens vão trazer problemas
aos dois, mas não ao espectador, que vai se surpreender
com as boas tiradas do roteiro, o qual em determinado
momento homenageia, talvez inconscientemente, o já
clássico Cinema Paradiso. Enfim, um besteirol
que dá certo.
REBOBINE, POR FAVOR (Be Kind Rewind, 2008)
Direção: Michel Gondry.
Elenco: Jack Black, Mos Def, Danny Glover,Mia
Farrow.
WATCHMEN - O FILME
Watchmen - O Filme, de Zack Snyder (300)
traz para as telas um dos clássicos dos quadrinhos dos
anos 1980, de Alan Moore. Nele, num Estados Unidos da
primeira parte da década de 1980, em plena Guerra Fria,
ainda governado por Richard Nixon (ótima caracterização
de Robert Wisden), os super-heróis foram proibidos de
atuar. Aposentados, alguns mantém suas identidades secretas,
enquanto outros vão trabalhar para o governo, como o
atômico Dr. Manhatan (Billy Crudup, de Quase Famosos).
Até que um deles, o Comediante (excelente atuação de
Jeffrey Dean Morgan) é assassinado. Temendo por seus
destinos, o Coruja (Patrick Wilson), Mrs. Jupiter (a
bela Malin Ackerman, de Antes Só do que Mal Casado)
e Rorschach (Jackie Earle Haley, de Pecados Íntimos)
decidem investigar quem é o assassino e voltam a atuar
em público, apesar da proibição governamental.
Watchmen recria com esmero a HQ antológica, além
do que a abertura extraordinária, que dura mais de cinco
minutos, resume a história dos super-heróis desde o
começo dos anos 1940, com suas participações na Segunda
Guerra e na Guerra do Vietnã (que na ficção acaba sendo
vencida pelos americanos). O que pode cansar um pouco
aqueles que não são fãs dos quadrinhos é sua longa duração:
3 horas. Já para os adoradores da HQ de Alan Moore,
é um deleite.
WATCHMEN (idem, 2009)
Direção: Zack Snyder.
Elenco: Billy Crudup, Malin Ackerman, Jeffrey
Dean Morgan, Jackie Earle Haley.
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