ENTRANDO NUMA FRIA
Adriano de Oliveira
 
 
Na lista dos piores filmes desta década recentemente publicada pelo site Rotten Tomatoes, "Terror na Antártida" ("Whiteout", EUA / Canadá / França, 2009), adaptação de uma graphic novel de Greg Rucka, figura na centésima posição. Notícia boa: a classificação parece injusta, deve haver bem mais de 99 filmes inferiores a este no mesmo período, em uma opinião particular. Notícia ruim: isso não o torna melhor.

Diz-se que os quinze minutos iniciais de um filme são determinantes para cativar o interesse do espectador. Em tal aspecto, o cartão de visitas deste não funciona bem. A sua sequência inaugural, envolvendo um incidente a bordo de um avião russo sobrevoando o Continente Gelado, é pontuada por efeitos visuais toscos demais para uma cara produção hollywoodiana. A cena que vem logo apenas constituiria uma tentativa de redenção em segurar o espectador se considerada aos olhos daqueles estão com a testosterona a ebulir: a bela Kate Beckinsale protagoniza um inusitado e gratuito strip-tease, livrando-se remansosamente de suas inúmeras roupas (lembrem-se do lugar onde se passa a história) para adentrar em uma ducha.

Após isso? Ah, tem uma investigação arrastada sobre o primeiro homicídio no continente - esta, pautada pelo gosto duvidoso de certas séries televisivas de investigação forense, evidentemente testando o estômago da plateia -, situações equivocadas e cenas de ação muito mal editadas, bem como mal rodadas. Dominic Sena já fez coisa bem melhor antigamente, seja estabelecendo a tensão em "Kalifornia" (1993), seja distribuindo a ação e a diversão em "60 Segundos" (2000) e "A Senha - Swordfish" (2001). Em "Antártida" não se encontram esses elementos de modo aceitável.

E se Beckinsale realmente não conseguiu mostrar força interpretativa mais uma vez (saudades daquela performance em "Os Últimos Embalos da Disco", já se vão 11 anos), a carruagem desanda de vez com o monótono Gabriel Macht. Já um envelhecido Tom Skerritt se salva no meio dessa verdadeira fria.

Outro tropeço do filme de Sena é sua ambição. "Terror na Antártida" quer ser um novo "Insônia", mas no máximo fica ao nível do repudiado "D-Tox". O vilão não impressiona, mais parecendo o da recente versão de "Dia dos Namorados Macabro", ostentando sua picareta - só que menos ameaçador e sem sanguinolências em 3-D. O fenômeno climático que dá origem ao título original do filme (o tal "whiteout") é parcamente explorado, e quando aparece a galante aurora austral em cena, os créditos já estão subindo.

"Terror na Antártida" não é cool. É cold.



TERROR NA ANTÁRTIDA (Whiteout, EUA/Canadá/França, 2009)

Direção: Dominic Sena.

Elenco: Kate Beckinsale, Tom Skerritt, Columbus Short, Gabriel Macht, Alex O'Loughlin.

Cotação: *