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Na recente segunda feira, 10 de abril, foi realizada
uma exibição para a imprensa porto-alegrense
do novo trabalho do cineasta Ugo Giorgetti, "Boleiros
2 - Vencedores e Vencidos". O filme trata da
visita a um bar temático sobre futebol por um
badalado (e fictício) jogador atual, ao passo
em que futebolistas do pretérito, freqüentadores
do local, relembram antigas histórias relacionadas
aos que vivem ou viveram em torno desse esporte. O Cine
Revista participou da coletiva que teve lugar logo
após a sessão, sendo entrevistados Giorgetti
(diretor), Adriano Stuart (ator do filme) e Fernanda
D'Umbra (atriz) por jornalistas e por críticos
de cinema ali presentes. Em meio ao rodízio de
questões, estas foram as perguntas do representante
do site ao diretor, e suas respectivas respostas,
transcritas a seguir.
CINE REVISTA: Ugo, você foi um dos primeiros,
senão o pioneiro, daqueles diretores que vieram
do meio publicitário, fazendo a transição
da Publicidade para o Cinema. Naquela época,
não era algo comum, e ainda hoje, alguns puristas
não vêem isso com bons olhos. Houve, entretanto,
toda uma onda de publicitários no cinema com
sucesso, como Ridley Scott, e aqui no Brasil, Andrucha
Waddington. Como foi dar esse passo, naquele tempo,
e como você vê a influência estética
de quem veio da Publicidade quando este passa a tratar
com a linguagem do Cinema?
UGO GIORGETTI: Sinceramente, pelo menos para
mim, acho que a Publicidade em nada influenciou, ao
menos nos meus filmes. Cada um no seu lugar. Claro que
sempre alguma coisa técnica a gente traz para
a hora de rodar o filme, mas esteticamente creio não
ter importado nada da Publicidade. Faço Cinema
como Cinema, sem esse tipo de raiz.
CINE REVISTA: O Otávio Augusto (ator)
está sempre presente em seus filmes. Como se
explica essa onipresença, o quê faz de
Otávio um ator especial para você?
UGO GIORGETTI: Acho que é o fato de o
Otávio ser muito versátil, ele faz qualquer
personagem, então ele se encaixa bem em qualquer
filme que eu faça.
CINE REVISTA: Entre outras características
de sua filmografia, uma delas que eu percebo, é
a sua preocupação, na narrativa, em diferenciar
e integrar distintas esferas sociais, como nos seus
filmes "Festa", "Sábado",
"Boleiros" e neste. De onde emerge
essa ênfase?
UGO GIORGETTI: No mundo moderno, ao menos em
uma cidade como São Paulo, as pessoas de diferentes
classes sociais se misturam muito, no dia-a-dia. É
uma questão de convivência, e eu procuro
mostrar isso.
CINE REVISTA: Seria então isso
como um reflexo da sociedade em que vivemos, com sua
diversidade?
UGO GIORGETTI: Exato.
CINE REVISTA: Inclusive o seu modo de
apresentar classes sociais distintas separadas por um
andar de uma residência, e as diferenças
e relações entre as mesmas antecipou "Assassinato
em Gosford Park", de Robert Altman, em
mais de uma década.
UGO GIORGETTI: Sério? Olha, eu não
havia percebido isso.
CINE REVISTA: Entenda isso como um elogio,
ou o senhor também pode discordar, afinal é
uma observação pessoal minha.
UGO GIORGETTI: Eu vejo isso como um elogio, e
que elogio! Puxa, ser comparado a Altman...!!
BOLEIROS 2 - VENCEDORES E VENCIDOS (2006)
Direção: Ugo Giorgetti.
Elenco: Flávio Migliaccio, Adriano Stuart,
Lima Duarte, Andréa Tedesco, Petrônio Gontijo,
Silvio Luiz, Fernanda D'Umbra, Paulo Miklos.
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