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No último dia 12, estiveram em Porto Alegre para divulgar
o filme "Contra Todos", o diretor Roberto Moreira e
a atriz Leona Cavalli. Em entrevista realizada em um
hotel do bairro Moinhos de Vento, eles receberam a imprensa
e atenderam às questões dos representantes dos meios
de comunicação na ocasião presentes.
O site Cine Revista, representado no evento
por seu editor, fez diversas perguntas nesta coletiva,
as quais são reproduzidas a seguir com as respectivas
respostas dos entrevistados.
CINE REVISTA: Leona, nos seus trabalhos
recentes para o cinema, tenho percebido uma inclinação
sua para interpretar papéis de mulheres fortes, como
são os casos da dona de bar recifense de "Amarelo Manga"
e a corajosa Cláudia de "Contra Todos". Há de fato uma
preferência de sua parte em representar tais personagens?
LEONA CAVALLI: Sem dúvida, o melhor papel é
aquele que te traz desafios. Quem atua, se realiza quando
enfrenta isso e luta para fazer um bom trabalho. Entrar
no personagem da Cláudia foi algo assim.
CINE REVISTA: A seqüência de abertura e
os créditos finais mostram um horizonte aberto de uma
praia, mas com o mar tingido de sangue. Essa é uma metáfora
de algo, ou um prenúncio do destino dos personagens?
ROBERTO MOREIRA: Os dois. Em primeiro, a idéia
de filmar o mar era fugir do ambiente urbano por um
momento, descentralizar o foco. Mas também é uma maneira
de mostrar do que o filme trata, que é a questão da
violência.
CINE REVISTA: Como foi a descoberta da
Silvia Lourenço e sua incorporação ao casting
do filme? Ela tem uma força natural enorme em cena,
é uma grata revelação.
ROBERTO MOREIRA: Na montagem de "Pret-a-Porter",
de Antunes Filho, tomamos conhecimento do trabalho dela.
Ela surpreendeu mesmo, do ponto de vista que, na distribuição
de prêmios dada ao filme nos festivais, a escolha tenha
caído nela, e não na Leona, que é a estrela da produção.
LEONA CAVALLI: E eu me sinto muito feliz com
isso, porque todos nós ganhamos com a premiação da Silvia.
ROBERTO MOREIRA: A Leona e o Ailton (Graça)
são os nomes mais conhecidos do elenco. Eles passaram
uma sinergia aos (atores) menos conhecidos do público,
que são a Silvia e o Giulio, que cresceram e ganharam
destaque nesse processo de interação. O trabalho coletivo
do elenco, como um todo, foi maravilhoso.
CINE REVISTA: O final de "Contra Todos"
deixa em aberto uma possibilidade de redenção ao personagem
Waldomiro. Foi essa a intenção do diretor/roteirista?
ROBERTO MOREIRA: O Waldomiro é totalmente amoral,
ele "sai jogando", sem remorso. Certamente não seria
o casamento dele com uma pessoa correta, do bem (Terezinha)
que mudaria a situação. A trajetória dele ao longo do
filme indica isso.
CINE REVISTA: Sabe-se que o filme já foi
vendido para ampla distribuição na Europa. A recepção
em Berlim, na estréia mundial, foi boa. Qual a expectativa
da recepção de "Contra Todos" pelo mundo a partir disto
e do fato de quanto a universalização do seu tema pode
atingir às platéias internacionais, sendo dotado de
elementos tipicamente brasileiros?
ROBERTO MOREIRA: Na China, por exemplo, gostaram
muito do filme. O tema de "Contra Todos" é um drama
universal - a violência urbana. Tem também o fato de
que todos os personagens são muito solitários, e o público
de qualquer lugar identifica essa solidão.
LEONA CAVALLI: Olha o personagem da Cláudia.
Ela é pura solidão. As pessoas que vêem o filme notam
isso. É esse o aspecto que faz do cinema uma coisa universal:
o retrato do sentimento, do ser humano, independente
do lugar onde ele se encontra ou da língua que ele fala.
Seguem duas biografias rápidas dos entrevistados,
segundo material de divulgação:
O diretor Roberto Moreira é professor de dramaturgia
no Curso Superior do Audiovisual da ECA (Escola de Comunicações
e Artes)-USP, mestre em História da Arte pela UNICAMP
e doutor pela ECA-USP. Dirigiu e escreveu curtas-metragens
como "O Cão Louco Mário Pedrosa" (1993) e "A Princesa
Radar" (1992), que participaram de festivais na Itália,
na Suécia, na Alemanha e no Brasil. Recebeu, com Jean-Claude
Bernardet, o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de
Brasília 96 pelo longa-metragem "Um Céu de Estrelas",
de Tata Amaral. Fez estágio na Fabrica italiana, instituição
do grupo Benetton voltada para a pesquisa na área de
comunicação.
A atriz Leona Cavalli, que interpreta Cláudia
no filme, é gaúcha. Trabalhou no teatro com diretores
como José Celso Martinez Corrêa ("Hamlet"), Bibi Ferreira
("Viva o Demiurgo") e Paulo Autran ("Vestir o Pai"),
entre outros. É premiada por suas atuações nas montagens
de "Toda Nudez Será Castigada" e "Um Bonde Chamado Desejo",
de Cibele Forjaz; e no filme "Um Céu de Estrelas", de
Tata Amaral, por sua atuação como protagonista. Trabalhou
nos longas "Através da Janela", de Tata Amaral, "Amarelo
Manga", de Cláudio Assis, "Carandiru", de Hector Babenco,
"Olga", de Jaime Monjardim e está nos inéditos "Cafundó",
de Paulo Betti e Clóvis Bueno e "Quanto Vale ou É por
Quilo", de Sérgio Bianchi. Atualmente ensaia o monólogo
"Presente de Aniversário", de Ana Vitória Vieira Monteiro
e faz participações na novela "Começar de Novo", da
Rede Globo.
Leia também o artigo
de Adriano de Oliveira sobre este filme.
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