ENTREVISTA: DAN STULBACH (ATOR) E ROSANE SVARTMAN (DIRETORA), DE "MAIS UMA VEZ AMOR"
Por Adriano de Oliveira
 
 

Estiveram em Porto Alegre no dia 11 de abril para divulgar seu filme "Mais Uma Vez Amor", a diretora Rosane Svartman e o ator Dan Stulbach. Em entrevista coletiva com os mesmos, realizada em uma sala de convenções de um hotel localizado no bairro Moinhos de Vento, foi possível saber um pouco mais sobre a realização da obra e as carreiras dos entrevistados.

Dan se mostrou simpático e atencioso com a imprensa. De imediato, ele falou quais seus motivos para participar da produção - o roteiro o cativou. O trabalho também o agradou, pois lhe foi permitido dar "acréscimos de opinião nova". O papel lhe foi interessante, pois, em suas palavras, o induziu à "colocação de sutilezas nas diferenças de idades do mesmo personagem; também quis fazer do Rodrigo alguém que está sempre insatisfeito com sua realidade e incorporei isso no papel".

Quando dois atores fazem o mesmo personagem em tempos distintos - é o caso no filme que ocorre com Rodrigo, vivido na adolescência por Paulo Nigro e na adultidade por Stulbach - é necessário combinação, sincronia de comportamento e de gestos. Dan frisou esse detalhe, relatando suas conversas com o jovem Nigro durante as gravações. O protagonista da fita se revelou um fã de Jerry Lewis e Peter Sellers, a quem imitava em sua juventude e os considera seus ícones pessoais no estilo comédia. Para ele, a escolha de fazer um filme desse gênero nada tem a ver com uma mudança de imagem após se consagrar no drama televisivo como Marcos, o marido violento da novela "Mulheres Apaixonadas", exibida pela Rede Globo de Televisão.

A diretora Rosane Svartman nos fascinou com suas cordialidade e simplicidade. Perguntada sobre a gênese do filme, ele respondeu que a idéia de fazer uma versão para o cinema a partir da peça originalmente encenada por Marcos Palmeira e Guta Stresser surgiu imediatamente. A própria Rosane apresentou a idéia para produtores e recebeu o sinal verde para fazer avançar o projeto. Bastante sincera quanto às suas atividades, ela justifica seu longo hiato (oito anos) entre seu primeiro longa e este segundo, dizendo que "é impossível ser somente diretor de cinema no Brasil". Uma afirmação tão verdadeira quanto corajosa, da qual possivelmente todos os realizadores nacionais têm consciência, mas poucos ousariam declarar com tamanha franqueza. Ponto para Svartman e sua luminosa sinceridade.

Presente em tal coletiva, o representante do site Cine Revista teve a oportunidade de fazer duas perguntas aos entrevistados. Essas questões e suas respectivas respostas são transcritas a seguir

CINE REVISTA: Dan, como você está falando de um ator americano, Jerry Lewis, queria aproveitar esse momento de saída do foco de "Mais Uma Vez Amor" para lhe perguntar sobre sua experiência no cinema americano. Como foi gravar "Living the Dream" (filme dirigido por Christian Schoyen e Allan Fitterman, ainda sem previsão de estréia) nos Estados Unidos? E quais as diferenças do modo de trabalho entre as indústrias de cinema americana e brasileira?
DAN STULBACH : Lá é isso mesmo que você colocou em sua pergunta: a indústria do cinema. Nos Estados Unidos, o cinema é bem isso, uma indústria. Há uma divisão de tarefas bem clara. Parece aquele filme do Charles Chaplin ("Tempos Modernos"): um passa a chave, outro aperta o parafuso, e assim vai. Uma linha de fábrica. É exigido muito profissionalismo. Você vê que ali há toda uma escola, há exigência de preparo, há uma demanda que querem do trabalho de cada um na produção. A equipe de trabalho - diretor, figurinista, fotógrafo, etc. - é muito distante, bem mais afastada do que o trabalho que se faz no Brasil, onde atores e técnicos interagem, e com espírito coletivo, se misturam. Lá nos EUA, cada um tem seu trailer, e você fica lá até ser chamado para fazer suas cenas. Não tenho como negar que toda aquela estrutura é deslumbrante. Mas eu tenho certeza de que aqui (no Brasil), com nossos recursos, também se faz um bom cinema.

CINE REVISTA: Rosane, eu gostaria de lhe perguntar sobre uma temática recorrente em seus filmes. No seu primeiro longa, "Como Ser Solteiro", é feita uma ode à conquista, à poligamia, uma manifestação que parte do universo masculino dos personagens daquele filme, estampada sobretudo nos papéis do Heitor Martinez e do Ernesto Piccolo. Entretanto, essa celebração da conquista acaba cedendo lugar à valorização da monogamia, pela força da gravidez da personagem da Rosana Garcia. Em "Mais Uma Vez Amor", de certa forma ocorre o contrário: o polígamo é uma personagem feminina, a Lia, ela é quem faz mover esse jogo, que finda por desaguar em monogamia pela inevitabilidade do destino e pela filha Mariana (Bruna Marquezine) que ela e o Rodrigo têm em comum. A partir desse raciocínio, "Mais Uma Vez Amor" funciona como um contraponto a "Como Ser Solteiro" ou como um complemento a ele? Foi algo proposital esse fato de ligação entre os temas dos dois filmes?
ROSANE SVARTMAN : É muito interessante e curioso você ter levantado essa questão. Quando se realizou a escolha deste projeto ("Mais Uma Vez Amor"), não se pensou nisso. Eu fiz "Como Ser Solteiro" há oito anos atrás, é muito tempo. E agora, até por essa sua visão, ele pode ser relacionado a "Mais Uma Vez Amor" em alguns elementos. Não se tinha pensado nisso, mas faz sentido. É curioso como que, nos temas, os caminhos acabam se cruzando.

Leia também o artigo de Adriano de Oliveira sobre o filme.