REDESCOBRINDO UM ESPORTISTA BRASILEIRO
Adriano de Oliveira
 
 

Aos poucos, o Brasil vai aprendendo a reverenciar suas grandes figuras do esporte. Depois do belo tributo que é "Pelé Eterno", de Aníbal Massaini Neto, vem na crista da onda o documentário esportivo-biográfico "Fabio Fabuloso", sobre o maior surfista brasileiro: Fabio Gouveia, campeão Mundial de Amadores (categoria Open) em Porto Rico/1988 e historicamente o primeiro representante de nosso país a figurar no grupo dos cinco principais atletas desse esporte no mundo, entre outras consagrações.

Conduzido por três diretores - o jornalista e poeta Pedro Cezar, e os apresentadores-produtores de TV Ricardo Bocão e Antonio Ricardo - "Fabio Fabuloso" é, como o título sugere, mais do que um adjetivo, narrado em tom de fábula e também seguindo o estilo de cordel, uma referência apropriada para descrever a saga desportiva desse atleta paraibano.

No último domingo, dia 12, estiveram em Porto Alegre para divulgar o documentário, seu produtor executivo Alfio Lagnado, o diretor Ricardo Bocão e o próprio Fabio Gouveia. A crítica local de cinema teve a oportunidade de conversar com esse pessoal e descobrir fatos interessantes acerca da produção. O atencioso e falantíssimo Ricardo Bocão, um dos pioneiros da divulgação de esportes radicais na mídia brasileira, confidenciou que a idéia inicial era produzir um DVD que representasse uma homenagem à trajetória de Gouveia. A proposta de levar às telas o documentário veio do próprio Bocão, o qual vislumbrou a possibilidade de melhorar o produto, capitalizando uma quantia maior junto ao produtor executivo e trazendo um acabamento especial à obra, o que resulta nesse documento esportivo não-convencional, dada sua narrativa peculiar.

As referências para tal descrição são plenamente assumidas por Bocão - "Ilha das Flores" de Jorge Furtado e "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" de Jean-Pierre Jeunet, facilmente identificáveis na ação de "Fabio Fabuloso". Dono de um arquivo de imagens sobre Gouveia muito amplo, resultante de mais de 18 anos de gravações, Ricardo faz uso desse extenso material com uma dosagem equilibrada na fita, procurando enfocar também o lado humano do surfista em questão. Na opinião de tal diretor, isso permite atingir um público maior, familiar, além da faixa especializada a quem o filme prioritariamente interessa.

Perguntei nessa entrevista ao homenageado Fabio onde estão as melhores ondas que já pegou ao longo de sua exitosa carreira, e ele respondeu: "no Havaí, nas ondas longas da Indonésia e nas pesadas do Tahiti". Falou a voz da experiência, a voz de um ilustre brasileiro que surpreende por sua simplicidade e a quem aprendemos a redescobrir.

FABIO FABULOSO (2004)

Direção: Pedro Cezar, Ricardo Bocão e Antonio Ricardo.

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