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O cara está em casa, abre o jornal, ou acessa a internet,
e vê a sinopse de um filme que recém estreou: emocionante
estória sobre um homem que sacrifica seu título de campeão
mundial de bolinhas de gude para salvar as flores raras
de Uganda. Exatamente, as flores raras de Uganda,
que ele odeia. Jurou jamais assistir a qualquer filme
sobre elas. Mas ele sai correndo, atropelando todo mundo,
e compra o ingresso. Por quê?
Certa vez, há alguns anos, fui ao teatro realizar um
sonho quase de berço. Assistir a peça Oh, Calcuttá,
que depois de muito tempo voltava a Porto Alegre. Várias
atrizes nuas no palco (tá, atores também) durante duas
horas. Que beleza! Por forças maiores do que o meu bom
senso de ridículo, escolhi com pouco cuidado a poltrona.
No meio da peça, um ator de quase dois metros de altura,
usando uma fantasia sexual - entenda-se camisinha com
lantejoulas -, perguntou para a platéia se havia alguém
disposto a subir no palco com ele. Frente à nenhuma
resposta, a maior parte do público era de casais, ele
apontou para a primeira fila, curiosamente cheia de
adolescentes, curiosamente onde eu estava, e curiosamente
conhecida como a fila dos p... . Acho que foi por eu
ter fechado os olhos e começado a rezar pedindo que
qualquer coisa de ruim acontecesse com o cara do lado
e não comigo que chamou a atenção do grandalhão. Sentado,
riso amarelo, e intimamente reclamando da má vontade
das minhas crenças, servi de referência cômica a partir
dali. A platéia riu da minha cara dezessete vezes, eu
contei.
Mas surgiu um fato que me acordou para o mundo, e despertou
o maior desafio intelectual de todos os tempos.
Quando foram as atrizes, maravilhosamente nuas, que
começaram a fazer piadas de mim, aí passei a rir da
minha cara também. No caso delas, as piadas eram soberbamente
bem contadas, espirituosas, quase obras de arte. Aquelas
meninas debocharam da minha pessoa com um amor pelo
trabalho que me comoveu. Até consegui ignorar o ator
chato, sentado no meu colo, com as duas pernas para
cima jurando que era a Madonna.
Que coisa! Esperei anos para assistir a peça, fisgado
pela propaganda da nudez feminina, e em nenhum momento
sequer procurei me informar sobre o conteúdo dela. Nunca
me ocorreu que fosse tão divertida... e séria. Talvez
aquelas moças, quase em transe profissional, nem percebessem
que estavam nuas no palco, pelo menos não no sentido
de estarem nuas que eu entendo, se é que me entendem.
Estavam nuas pelo amor à profissão que escolheram: representar.
Apesar de, com relação ao sexo oposto, eu sempre me
comportar como um obstinado caçador movido à energia
nuclear - o que alguns ignorantes chamam de tarado,
e eu tenho pena deles -, me senti mal, dor no estômago,
por ter ido ao teatro apenas para ver tão dedicadas
intérpretes sem roupa. A sensação foi de tê-las desrespeitado.
Isso nunca tinha me acontecido antes.
Sei o que me incomodou. Até aquele dia, eu pensava que
mulher pelada e desempenho artístico nasceram para trabalhar
um pelo bem do outro, e ambos pelo meu bem, e a vida
fazia um sentido danado. De uma hora para outra, experimentei
um duro golpe de realidade, nudez feminina e trabalho
artístico sério, compreenda-se realizado com dedicação
e talento, são na verdade competidores naturais. E ao
que parece, só podem estar unidos de maneira legítima
quando feitos sob uma forma de bom gosto chamada nudez
artística. Doeu meu estômago porque, embora eu já tivesse
ouvido falar dessa tal nudez artística, para mim ela
era igual a disco voador, só os outros viam.
Mesmo violento, porém, o choque cultural aconteceu em
boa hora. Entendi em que mundo eu estava e a qual mundo
gostaria de pertencer. Ambicionei me transformar numa
pessoa melhor. Do tipo que consegue identificar nudez
artística onde dizem haver uma. Dentre outras coisas,
significava que eu teria de me emocionar com o trabalho
sério de quem precisou ficar nua na minha frente, e
não mais me ajoelhar com língua para fora, cheio de
reações bioquímicas mal intencionadas, perante a nudez
de quem precisou trabalhar de modo sincero na minha
frente.
Primeira dúvida: a capacidade de reconhecer o verdadeiro
nu artístico é algo que se pode obter com o suor da
dedicação, ou é dom natural, para poucos?
Segundo os manuais dos senhores da razão, caras que
sabem tudo de nudez artística genuína, e viraram meus
mentores, a primeira etapa do bom gosto é desvincular
o erotismo do nu. O erotismo deve estar no olhar de
canto de olho, na umidade do lábio pela língua, num
passar de batom mais sutil, num andar mais ereto e delicado,
quase flutuante, num vestido que se eriça ao vento.
A nudez artística, por sua vez, estabelece o limite
entre o corpo e o sublime, ela conta uma história bonita
em seus detalhes, apimenta o espírito, joga-o para a
dimensão do olhar poético, tem o poder de elevar o ser
humano à condição suprema da alma. Ou seja, pelo que
eu entendi, reconhecer o nu artístico é observar um
nu feminino sem que as glândulas salivares fiquem sabendo.
E talvez a nudez artística cure hemorróidas também.
Que desafio terrível.
Porque grande parte dos nus artísticos oferecidos no
mercado, principalmente no cinema, trazem um ingrediente
de extremo significado para a seleção das coisas sem
roupa que coloco na cabeça e de lá não tiro.
Atrizes famosas.
Ah, como a vida era fácil na minha adolescência, ou
no tempo das pornochanchadas, o que dá na mesma. Consciência
não tinha peso. Meus filmes favoritos eram os que mostravam
as belas integrantes da novela das oito como vieram
ao mundo. Nos meus quatorze anos de idade, o legal não
era driblar o zagueiro do time adversário, mas o bilheteiro
daquele cinema com o cartaz: Erótica, A Fêmea Sensual,
proibido para menores de dezoito anos. O despir gradual
- se com a ajuda de musicas com saxofones bregas melhor
ainda - de Aldine Muller, Matilde Mastrangi, Helena
Ramos, Tássia Camargo, Angelina Muniz, e outras mais,
contribuíram para hoje eu dizer que minha educação teve
bases sólidas. Lembro que eu chegava a pular muro para
ver os filmes de um diretor chamado Walter Hugo Khoury
(Eros - O Deus do Amor, Convite ao Prazer,
A Herança dos Devassos), que tinha mania filosófica
de perseguição, jurava que o nada absoluto e a falta
de sentido da existência freqüentavam os mesmos lugares
que ele, e apontavam na sua direção fazendo gestos obscenos.
E sempre colocava o podre de rico do Marcelo (personagem
alter-ego que apareceu em quase todos os seus filmes)
para denunciar esse absurdo.
Naquela época, eu já tinha noção de que falar do niilismo
inexorável da existência dá prestígio em lugares onde
se discutem os destinos do mundo, como botecos, bancos
de praça e a janela da minha antiga vizinha, aquela
fofoqueira. Mas nas salas de projeção dificilmente chama
público maior do que seis ou sete cinéfilos e vinte
e três bêbados que erraram a porta do banheiro. Pois
Khoury ensinou a maior das lições sobre como se manter
íntegro no discurso ideológico e botar comida na mesa.
Se queres falar sobre o nada absoluto e suas implicações
na existência, comece mostrando o nada absoluto sobre
o corpo de atrizes famosas. E através do Walter, também
Christiane Torloni, Vera Fischer, Kate Lyra, Nicole
Puzzi, Sandra Bréa tiveram maravilhosas implicações
no que sou hoje. Se este fundamental diretor não entrou
na história da filosofia contemporânea, pelo menos entrou
nas minhas orações, e acho que dos vinte e três bêbados.
Só para constar, a pornochanchada teve sua época e como
qualquer moda declinou. Acabou substituída pelo cinema
de sexo explícito, que também teve seu apogeu, decaiu
e se manteve estável no mercado de DVD. Agora encontra-se
em exponencial ascensão, adivinhem, com a incorporação
de famosas, como Gretchen, Rita Cadillac, Leila Lopes,
Regininha Poltergeist.
Porém, na nova perspectiva que almejo, assistir a um
filme onde uma das minhas atrizes favoritas empenhou
todas as suas forças para viver a personagem "Fulana
Seja Quem For", uma mulher à frente do seu tempo,
que mudou costumes, etc., etc., e somente me manifestar,
tipo uivar para a Lua, nos poucos segundos em que ela
tira a roupa, é com certeza um desrespeito da minha
parte, não nego. Entanto não seria a dor de barriga
proveniente deste desrespeito, suplantada pela imensa
satisfação da visão celestial, que com certeza perdurará
na memória, e quem sabe mais tarde implicará num saudável
e nostálgico uivar para a Lua?
Complicado.
Os senhores da razão afirmam que uma atriz famosa está
em nu artístico quando sua nudez serve a um bem maior
que é a integralidade da obra cinematográfica. Se assim
não for, cai-se na chamada nudez gratuita (curiosamente,
a que gera mais dividendos). Portanto, quem deseja compreender
um nu artístico em plenitude deve observar as qualidades
da obra como um todo e daí captar seus verdadeiros fundamentos.
Neste ponto começaram meus problemas. Juro que aluguei
vários filmes de nu com arte (alguns vinham com isso
escrito na capa) só para observar a obra cinematográfica
como um todo. Mas justo no momento que o todo aparecia,
eu estava distraindo mirando as melhores partes.
Falei que era o maior desafio intelectual de todos os
tempos.
Sei que no imaginário feminino a questão de se sentir
desejada é forte. Como, então, uma bela atriz consegue
aceitar que sua nudez terá o mesmo status que uma cadeira
ou um lustre? Os senhores da razão dizem que expor anatomias
íntimas em favor da arte exige sacrifícios, e um deles
é abstrair-se da vaidade. Do sacrifício eu concordo,
mas no lance da vaidade, sei não. Na maioria dos casos
que eu conheço de atrizes que descobriram que teriam
de ficar nuas, a descoberta não as levou à desistência,
mas à academia de ginástica, e oito horas por dia.
Os diretores dos filmes são com certeza os que mais
interesse tem pela obra em si. Segundo os senhores da
razão, os grandes diretores de nu artístico, detrás
da lente de suas câmeras, criam uma poesia cênica estufada
de inspiração, pensada, revolucionária. Momento espetacular
do dom natural. Que coisa complicada. Eu mal consigo
entender como os diretores, tendo uma Vera Fischer tirando
a roupa na frente, conseguem correr para trás de uma
câmera.
Poxa, como eu queria ser alguém melhor.
Acreditem, fiquei nessa busca por anos. A dificuldade
foi tão grande, e os fracassos tantos, que tangenciei
às raias da blasfêmia. Coisas que o desespero faz a
gente pensar. Cogitei que talvez o nu artístico na verdade
não existisse, fosse um mito, simplesmente balela de
caras frustrados que ficam inventando regras para parecerem
superiores. Quis até apelar para Os Caçadores de
Mito (Mythbusters), um programa muito legal,
onde dois especialistas fazem experiências científicas
para tentar comprovar, ou não, mitos urbanos. Não sei
como eles fariam, mas se bem conheço o estilo, pegariam
uma atriz famosa, tirariam a roupa dela, vendariam seus
olhos, a cercariam com um monte de peças de arte frágeis
e raríssimas e reuniriam em volta representantes de
vários segmentos da espécie humana dizendo é de vocês.
Abortei a idéia porque uma pontada no meu coração insinuou
que essa experiência poderia provar que os senhores
da razão espancariam os bárbaros e chegariam primeiro,
o patrimônio da humanidade que se dane. Esse tipo de
coisa não é bom a gente descobrir.
Mas não me entreguei. Passei os últimos anos alugando
filmes referendados por críticos de conceito. Olhei
bem, usei óculos, usei lupa, o slowmotion, o replay,
o quadro-a-quadro, o zoom. Até que, segundo eu mesmo,
atingi o ponto de reconhecer e valorizar o nu artístico
pleno. Estava começando a distribuir os convites para
a festa quando amigos me falaram sobre um drama pesado,
A Última Ceia. Num estado altamente racista,
uma mulher negra tem o marido condenado à pena de morte
e perde um filho pequeno atropelado. Depois se envolve,
sem saber, com o policial branco que executou o marido
e induziu o próprio filho ao suicídio. Credo!
Halle Berry numa atuação que lhe valeu o Oscar. Quando
me contaram, olhei para o outro lado. Naquela fase da
minha vida, tudo menos um filme deprê. Isso até meus
amigos falarem, com olhos de psicopata, que Halle Berry
ficava completamente nua.
Halle Berry completamente nua, que expressão
poderosa esta.
Acabei muito, muito chateado comigo mesmo por ter adorado
a cena de nudez, mesmo com todas as toneladas de drama
em volta da pobre mãe. E ter visto oito vezes seguidas
o filme, só piorou. Me senti o lixo humano, e talvez
foi este sentimento tão sincero que me deu forças para
não comprá-lo pela nona vez, embora partes fuxiqueiras
da minha consciência digam que foi a falta de grana.
A Última Ceia veio com tudo para decretar minha
falência no projeto nudez e dignidade. Infelizmente.
Pois, logo agora que eu tinha me acomodado na região
do está bom assim, desde que não se fale mais nisso,
surge uma nova assombração. O filme Nome Próprio
(Brasil, 2007) do diretor Murilo Salles (Nunca Fomos
Tão Felizes, Faca de Dois Gumes, Seja
o Que Deus Quiser). Salles é um cineasta que gosta
de histórias urbanas com personagens cuja moral não
tem muito a ver com a moral da sociedade em que vivem
e adora levá-los a limites psicológicos. Não sou grande
fã dele, mas sempre o tive como exemplo de cinema com
algo a dizer e mostrar, e não somente com o algo a mostrar.
Eis que, segundo inacreditável previsão meteorológica
do seu novo projeto, o corpo da atriz Leandra Leal terá
céu claro, límpido, com total ausência de roupas.
De novo não! Não vou assistir, não vou mesmo, de jeito
nenhum... Leandra Leal completamente nua, que... bem
vocês já sabem. Mas deixa eu repetir para ver se assimilo.
Leandra Leal completamente nua.
Nunca pensei que isso existisse.
Atropelei todo mundo e corri para ler a sinopse. Fala
sobre uma tal Camila, personagem inspirada em dois livros
da gaúcha Clarah Averbuck, dona de um blog de sucesso
e filha do Hique Gomes (da peça teatral Tangos e
Tragédias). Parece que Camila leva uma vida situada
entre Christiane F., Transpotting e Factotum.
Uma Bukowski de saias, que segundo a meteorologia passará
setenta por cento do filme sem as saias. Setenta por
cento, meu Deus!, minha mão tremia graças à numerologia
tão favorável.
Leandra Leal, jovem atriz, 25 anos à época do filme,
de raro talento, talvez a melhor de sua geração, como
sugere O Homem Que Copiava, A Ostra e o Vento
e Dias de Nietzsche em Turim. Arrasa em tudo
que se dedica, sejam filmes, sejam novelas. E, na minha
opinião, linda. Leandra Leal recentemente declarou que
jamais posará nua.
Terminada a leitura da sinopse, eu, para não deixar
à última hora minha não-valorização do seu talento e
esforço, já passava mal do estômago. Por outro lado,
mesmo sabendo que a estréia do filme seria dali um mês,
a nudez dela me fazia olhar para o relógio constantemente,
preocupado em não chegar atrasado para a primeira sessão.
Ir ou não ir? Um dilema que a vida não precisaria mais
ter me colocado.
Então, decidi que não fugiria de uma última tentativa
para provar a mim mesmo que conseguiria, sim, ficar
frente a uma tela com uma atriz linda totalmente despida,
concluir que é um mero detalhe de algo muito maior,
e atingir o conceito de arte pura e verdadeira. Eu me
transcenderia. Descobriria que os manuais estão certos.
Perceberia que minhas qualidades são melhores do que
eu penso. Postura digna frente à nudez de Leandra Leal.
Eu, cidadão que entende do conceito supremo.
Fui, mas com o dinheiro contado para uma entrada só.
Como antecipado na sinopse, Nome Próprio retrata
uma mulher que não consegue viver paixões impunemente.
Camila Lopes flerta com a linha do desejo impulsivo,
da miséria, da humilhação e do nem aí. Emagrecendo,
e funcionando à base de comprimidos, carrega olheiras
como se fossem duas mochilas escuras. Morava no apartamento
do namorado, mas o traiu e o acusou de ser o culpado
por isso. Depois de pedir desculpas, o namorado a expulsa
a pontapés. Ela quase implora abrigo para desconhecidos.
É hospedada por um nerd bem-intencionado, pelo menos
enquanto ela estiver acordada. A Bukowski sem saias
divide sua comida com as baratas, ou as baratas
dividem sua comida com ela, difícil saber, devido à
quantidade que cada uma come. Nunca recusa beijar, beber
e fazer sexo, mas pelo amor de Deus, jamais lhe tirem
o laptop e a internet. Se ela tivesse um filho, lhe
poria o nome de Blog Lopes. E isso explica como esta
"adolescente" de vinte e tantos anos chegou a tal ponto.
Corrigindo a sinopse, Nome Próprio retrata uma
mimada que não consegue viver impunemente porque precisa
ter assunto para alimentar Blog Lopes.
Boa parte do filme é Camila, computador e paredes. Tecnicamente
falando, o diretor Murilo Salles tirou leite de pedra
com sua câmera, escolhendo bem os ângulos, a fotografia
descolorida, closes, momentos desfocados, cortes rápidos,
o recurso de digitar pensamentos na tela. E coragem
de mostrar o que for preciso. Mas esses méritos são
suplantados pela história pouco original. Esse negócio
de palavrão, cigarro, bebida, promiscuidade, noites
sem fim, para criar um panorama bacana e vigoroso de
auto-destruição, já foi visto nuns quatrocentos e cinquenta
filmes, só na década passada. E além de pouco original,
a película se torna repetitiva com o tempo. Voltas e
mais voltas, e as loucuras de Camila não saem do lugar.
A meia hora final (duas horas e dez, para quê?) é totalmente
dispensável. O discurso "geração louca", da forma como
foi posto, há muito virou sertão, e nem contextualizar
usando a Internet e a força dos blogs, lhe roubou o
aspecto arenoso e seco.
Entanto, como previu a meteorologia, algo vale a pena
porque brilha muito, quase um filme à parte - Leandra
Leal, a Interpretação.
A jovem atriz me pôs em catarse e em catarse vos digo.
Não fosse o esforço dela, este filme vencedor do Festival
de Gramado 2008 seria uma tempestade em copo vazio.
Ela emagreceu às raias de Camila para viver Camila,
entregou-se para o papel com gestos tanto intensos quanto
comedidos, na precisão exata que o timing de
cada cena exigia. Falou alto e falou baixo, transou
na praia, quase brigou usando a própria calcinha como
arma, gastou os degraus de uma escada depois de tanto
esfregá-las para limpar a alma de sua personagem. Soberba
entrega visceral, que justifica a fama de amar como
poucos a sua arte.
Todos que estavam no cinema, e principalmente os que
lotaram a primeira fila, como eu, perceberam isso. Emocionada,
até a fila dos p... aplaudiu de pé.
NOME PRÓPRIO (Brasil, 2007)
Direção: Murilo Salles.
Elenco: Leandra Leal, Juliano Cazarré, Gustavo
Machado, Rosane Mulholland.
Cotação: ***
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