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"Olga", o filme, baseado no best-seller homônimo
de Fernando Morais, não é uma adaptação das mais felizes.
Entre acertos e erros, o saldo é negativo, mas ainda
assim merece atenção.
Com um orçamento relativamente baixo em comparação
com as produções americanas, totalmente rodado no Rio
de Janeiro, é uma realização que afirma a qualidade
técnica do cinema nacional recente, com excelente som
e fotografia. Apesar de tocar em um tema que é caro
à nossa história, tem um aspecto de internacionalização
quanto à sua qualidade, parecendo querer almejar também
o mercado exterior.
O problema é que aqui findam as pétalas da rosa e
começam os espinhos. A direção do experiente na TV,
mas novato no cinema, Jayme Monjardim, deixa a desejar.
Por muitas vezes, parece que estamos vendo a versão
para a tela grande de uma minissérie televisiva. O uso
de closes demasiado fechados para captar a dramaticidade
é chavão da tela pequena que infelizmente oculta a boa
cenografia do filme no cinema, e torna a projeção enfadonha,
repleta de cabeças gigantes enchendo a tela. A montagem
igualmente não ajuda, calcada na linguagem da outra
mídia.
A personagem-título, interpretada por Camila Morgado,
recebe uma caracterização ondulante, oscilando entre
a "super-atuação" teatral, o dramalhão mexicano e inclusive
a falta de expressividade, esta em especial nas passagens
de cenas de diálogos em que a protagonista é ouvinte.
Os diálogos do roteiro de Rita Buzzar não colaboram
(vários deles são rasos, outros soam artificialmente
grandiloqüentes demais) e a situação se torna ainda
mais aguda quando, em ambientações na Rússia e na Alemanha,
as línguas locais mantêm conversação arbitrariamente
com nossa língua pátria, provocando o espanto da platéia
ou o riso involuntário da mesma.
Os demais personagens têm atuações variadas, ente
o burocrático (Fernanda Montenegro, como Leocádia Prestes)
e o convincente (Caco Ciocler, como o "cavaleiro da
esperança" Luís Carlos). Osmar Prado fornece boa representação
ao seu papel de Getúlio Vargas, incorporando o sotaque
gaúcho e a firmeza do personagem histórico.
Lamenta-se que a direção de arte seja o maior atributo
de um filme prejudicado em outros aspectos, entre os
quais a pouco sutil trilha de Marcus Viana, que, ao
invés de ser utilizada para sublinhar as passagens dramáticas,
é efetivada para grafá-las em negrito e caixa alta.
Aliás, muitas vezes o drama é exacerbado
para provocar o choro do espectador, o que só
acontece com aqueles mais sensíveis.
É inegável que "Olga" é um triunfo técnico, o que
justifica o ingresso na sala de projeção, mas, na narração
da última marcha da Coluna Prestes havia potencial para
ser bem mais do que o produto final que é apresentado
ao público.
OLGA (2004)
Direção: Jayme Monjardim.
Elenco: Camila Morgado, Caco Ciocler, Osmar
Prado, Fernanda Montenegro, Werner Schünemann, Murilo
Rosa, Jandira Martini, Guilherme Weber, Floriano Peixoto,
Leona Cavalli, Mariana Lima, José Dumont.
COTAÇÃO: **
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