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Após longa gênese (cerca de sete anos), "Redentor"
chega aos cinemas sob o signo do indefinível - uma mistura
de comédia, épico, drama, denúncia, fantasia, religioso,
tudo em uma mesma produção. Não é o primeiro que carrega
tal efígie, afinal como classificar em um único gênero
específico filmes como "Titanic", "Armageddon", "Cidade
dos Sonhos" e tantos outros?
O detalhe é que, no Brasil, inclusive por um viés mercadológico,
as produções pátrias nascem com gênero definido. Esta
rompe tal tradição. Como resultado, temos um filme que
narra, à guisa dos cânones preestabelecidos, a saga
típica do herói, vivido pelo jornalista Célio Rocha
(Pedro Cardoso), balizada por elementos díspares e também
incomuns de serem costurados em um só roteiro. Tudo
isto faz de "Redentor" um produto diferente, digno de
nota.
A um custo relativamente baixo (6,5 milhões de reais)
para uma realização com várias entradas de efeitos visuais,
fotografia cuidadosa e boa direção de arte, este título
é totalmente nacional na sua confecção. Inclusive os
efeitos criados digitalmente foram feitos aqui: o estúdio
Mega realizou as incursões em HD, que foram a
posteriori transpostas para a película.
Após despontar para o cinema no episódio "Diabólica"
do filme baseado em textos rodrigueanos "Traição", primeiro
projeto da Conspiração Filmes, do qual é cooperativado,
o diretor Claudio Torres faz seu primeiro longa. Ele
esteve em Porto Alegre nesta última quarta-feira, oito
de setembro, para uma coletiva de imprensa da qual participou
o site Cine Revista. Na entrevista concedida,
Torres revelou que resolveu investir em um roteiro original
(do qual é co-autor) por nenhum dos livros correntes
à época da realização ter chamado sua atenção. Colaborou
para tal decisão o fato de, em sua visão, achar a estátua
do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, um objeto cinematograficamente
forte e pouco explorado nesse sentido.
O diretor também revelou sua preocupação com o cinema
de entretenimento, do qual é fã confesso, e afirmou
que grande parte da concepção estética e da impressão
visual com que impregnou "Redentor" emerge disso. Consciente
e confidente de que o filme tem um roteiro raso, bem
como muitos truques e clichês, Torres surpreende pela
honestidade e até pela sua despretensão - considera
que, se a produção presente atingir a marca dos 400
mil espectadores, ele ficará satisfeito.
Quando perguntei a ele sobre a extensa utilização
de trechos da ópera "O Guarani" de Carlos Gomes, o diretor
voltou a assombrar com sua sinceridade: não é apenas
para dar o tom grandiloqüente à narrativa, mas também
porque não havia recursos para contratar uma orquestra
sinfônica para trilha incidental especialmente composta.
Mas esse arroubo de improvisação não surge tão casual,
pois Torres afirma, com muita propriedade, que o libreto
daquela ópera é sobre luta social, um dos (tantos) temas
do indefinível "Redentor".
REDENTOR (2004)
Direção: Claudio Torres.
Elenco: Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Camila
Pitanga, Fernanda Montenegro, Stenio Garcia, Tony Tornado,
Fernando Torres.
COTAÇÃO: ***
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