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Emerson Royal lembra rejeição no Milan: 'Falavam mais de mim que de Cristiano Ronaldo'

Emerson Royal lembra rejeição no Milan: 'Falavam mais de mim que de Cristiano Ronaldo'

Quando Emerson Royal pisou no San Siro pela primeira vez, em agosto de 2024, imaginava que seria o começo de uma nova era. Mas o que ele encontrou foi silêncio — e, pior, comentários maldosos que pareciam não ter nada a ver com futebol. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, publicada em late 2025, o brasileiro de 26 anos revelou que, durante sua passagem de menos de um ano pelo AC Milan, a atenção da mídia italiana se voltava mais para sua aparência e origem do que para seu desempenho em campo. "Cheguei à Itália com uma sensação um tanto estranha desde o início. Cada vez que eu dizia ou fazia algo, falavam mais de mim do que sobre Cristiano Ronaldo… mas de uma forma negativa. Sentia que tinha que me esforçar o dobro para ser aceito, e mesmo assim não era", contou, com a voz pesada, mas sem arrependimentos.

Um ano, 26 jogos, nenhum gol — e muitos comentários racistas

Emerson Royal foi apresentado pelo AC Milan em 12 de agosto de 2024, vindo do Tottenham Hotspur, após uma temporada sólida na Premier League. Na Itália, foi titular em 26 partidas oficiais — incluindo Liga dos Campeões, Serie A e Coppa Italia — mas nunca marcou ou deu assistência. Estatisticamente, foi um jogador discreto. Mas nas redes sociais e nos comentários dos torcedores, ele foi transformado em símbolo: de "diferente", de "não pertencente", de "exótico demais". "Eles não falavam do meu cruzamento errado, nem da minha marcação lenta. Falavam do meu cabelo, da minha cor, do meu sotaque. Como se eu fosse um espetáculo, e não um jogador", disse ele, lembrando que, mesmo em dias de vitória, os holofotes nunca apontavam para o gol do time, mas para ele.

"Não sinto saudade da Itália. Sinto saudade da Espanha e da Inglaterra"

Quando perguntado se sentia saudade do Milan, a resposta foi direta: "Não, sinceramente, não. É um país lindo, o Milan é um clube de ponta, mas nunca vou sentir nostalgia. Sinto falta da Espanha, onde fui muito feliz no Betis. E da Inglaterra também. Da Itália, não." A comparação é significativa. No Real Betis Balompié, em Sevilha, Royal foi acolhido como um dos líderes da defesa. Na Inglaterra, mesmo enfrentando críticas, sentia que seu trabalho era julgado por mérito. Na Itália, sentia que sua identidade era o único ponto de discussão. "No Betis, me chamavam de "El Campeón". Em Londres, me elogiavam por correr atrás da bola. Em Milão, me chamavam de "o negro que não fala bem". Não é futebol. É preconceito disfarçado de crítica esportiva".

Volta ao Brasil: emoção, lágrimas e o "salvador da carreira"

Volta ao Brasil: emoção, lágrimas e o "salvador da carreira"

Em 29 de julho de 2025, Emerson Royal foi apresentado como novo reforço do Clube de Regatas do Flamengo. Na cerimônia, ele chorou ao agradecer seu "salvador da carreira" — uma figura que, segundo fontes do clube, seria seu agente, mas que ele não nomeou publicamente. "Foi alguém que acreditou em mim quando ninguém mais acreditava. Que me segurou quando eu estava prestes a desistir", disse, com os olhos marejados. O Flamengo, que busca equilibrar o elenco para a temporada de 2026, vê em Royal uma opção confiável no lado direito da defesa — mesmo com a possível saída dele para o Galatasaray SK, da Turquia. A negociação ainda está em fase inicial, sem valores divulgados, mas o clube brasileiro já prepara o espaço para uma possível transferência.

Por que isso importa? O futebol ainda é um campo de batalha racial

A declaração de Emerson Royal não é um caso isolado. Em 2023, o ex-jogador francês Kylian Mbappé foi alvo de insultos racistas em partida na Itália; em 2024, o brasileiro Endrick sofreu críticas semelhantes ao chegar ao Real Madrid. Mas o que torna a história de Royal diferente é o fato de ele ser um jogador de alto nível, com passagens em ligas europeias de elite, e ainda assim se sentir um estranho. "O futebol europeu ainda tem um problema de invisibilidade racial. Quando um jogador negro é bom, ele é um talento. Quando ele é apenas normal, ele é um problema", analisou o sociólogo Luiz Eduardo Soares, em entrevista à ESPN Brasil. "Royal não foi rejeitado por falta de habilidade. Foi rejeitado porque não se encaixava no estereótipo que a mídia italiana queria vender. E isso é mais perigoso do que um chute na perna".

O que vem a seguir? Flamengo, Turquia e o legado de uma passagem amarga

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Enquanto o AC Milan se prepara para celebrar seus 120 anos de fundação em 2025 — e não 50, como erroneamente mencionado em alguns relatos —, Emerson Royal está focado em reconstruir sua carreira no Brasil. Se a transferência para o Galatasaray SK se concretizar, será um novo capítulo. Mas o que ele carrega é mais do que uma camisa: é uma lição. "Eu não vim para a Europa para ser um símbolo. Vim para jogar futebol. E se não puder ser aceito por quem eu sou, então prefiro voltar para casa e ser quem eu sempre fui: um brasileiro que ama o jogo".

Frequently Asked Questions

Por que Emerson Royal foi rejeitado no Milan, se ele jogou 26 partidas?

Apesar de ter atuado em 26 jogos oficiais, Royal enfrentou uma pressão psicológica constante por parte da mídia e de parte dos torcedores, que focavam em sua aparência e origem em vez de seu desempenho. Ele não marcou gols nem deu assistências, mas o problema não foi técnico — foi cultural. A falta de acolhimento e os comentários racistas criaram um ambiente hostil que o levou a se sentir excluído, mesmo sendo titular.

O que ele fez antes de chegar ao Milan?

Antes do Milan, Emerson Royal jogou no Real Betis Balompié, na Espanha (2021–2023), onde foi um dos pilares da defesa e se destacou por sua velocidade e consistência. Em seguida, foi para o Tottenham Hotspur, na Inglaterra (2023–2024), onde teve um bom desempenho na Premier League, especialmente em jogos de Copa. Sua passagem pela Itália foi a única que não foi positiva.

Por que ele não sente saudade da Itália, mesmo sendo um clube grande?

Royal admite que o Milan é um clube de prestígio, mas diz que a experiência foi emocionalmente desgastante. Ele sente saudade da Espanha, onde foi tratado com respeito, e da Inglaterra, onde seu trabalho foi avaliado por mérito. Na Itália, sentia que precisava "provar" sua humanidade antes de sua competência. Esse peso psicológico foi maior do que qualquer troféu.

Qual é a situação atual de Emerson Royal no Flamengo?

Atualmente, Royal é opção titular no lado direito da defesa do Flamengo, mas o clube monitora uma possível transferência para o Galatasaray SK. A negociação ainda está em fase de conversas, sem valores divulgados. O Flamengo busca equilibrar o elenco para 2026 e pode liberar o jogador caso a proposta seja interessante, mas não há pressa — ele ainda é peça importante no planejamento.

O que o caso de Emerson Royal revela sobre o racismo no futebol europeu?

O caso mostra que, mesmo em clubes de elite, jogadores negros ainda enfrentam discriminação disfarçada de crítica esportiva. Enquanto brancos são julgados por desempenho, negros são julgados por identidade. Royal não foi rejeitado por ser ruim — foi rejeitado por ser diferente. Isso é um problema sistêmico, não individual, e exige mudanças na formação de jornalistas, na atuação das federações e na educação dos torcedores.

O Milan já respondeu às acusações de Emerson Royal?

Até o momento, o AC Milan não fez nenhum comentário oficial sobre as declarações de Royal. Isso é comum em casos de discriminação — o clube prefere não se posicionar publicamente, mesmo quando o jogador é ex-atleta. Críticos apontam que essa ausência de resposta é, por si só, uma forma de legitimar o silêncio.

Cintia Santos
Cintia Santos

Trabalho como jornalista especializada em notícias e adoro escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é explorar histórias que impactam a vida das pessoas e trazê-las à luz. Adoro investigar, descobrir novas perspectivas e manter o público bem informado.

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RESPOSTAS

Mariana Moreira
Mariana Moreira

QUE VERGONHA, HEIN?! ISSO AQUI NÃO É FUTEBOL, É RACISMO DISFARÇADO DE CRÍTICA TÉCNICA! ELES NÃO VEEM O JOGADOR, VEEM A COR! E O MILAN NEM RESPONDE? NÃO É SÓ UM JOGADOR, É UM SER HUMANO QUE SOFREU! 🙏

  • dezembro 15, 2025
Mayri Dias
Mayri Dias

Realmente, é triste ver como o futebol europeu ainda carrega esses vícios. No Betis, ele foi campeão. Na Inglaterra, foi respeitado. Na Itália, virou piada. Isso não é sobre desempenho, é sobre preconceito estrutural. E o pior? Muitos ainda acham que isso é "crítica esportiva". 😔

  • dezembro 17, 2025
Bruno Rakotozafy
Bruno Rakotozafy

ele jogou 26 partidas e nao fez nada... nao adianta chorar, o futebol é resultado. se ele fosse bom, tava marcando ou dando assistencia. ponto final

  • dezembro 18, 2025
João Pedro Ferreira
João Pedro Ferreira

Essa resposta do Bruno é exatamente o que o problema mostra: a gente ainda confunde desempenho com valor humano. O Emerson não foi rejeitado por não fazer gols. Foi rejeitado por não se encaixar no estereótipo que alguns queriam. E isso é muito mais perigoso do que qualquer erro técnico.

  • dezembro 19, 2025
Alexandre Santos Salvador/Ba
Alexandre Santos Salvador/Ba

isso tudo é propaganda da esquerda globalista pra deslegitimar a europa. brasil é um lixo, tudo que vem de la é ruim. ele foi mal, ponto. e agora quer virar vitima? nenhuma nação europeia tem que se desculpar por um jogador que não rendeu. #brasilvolta

  • dezembro 20, 2025
Caio Pierrot
Caio Pierrot

Tem que entender o contexto. O Emerson foi um jogador sólido, mas não era o tipo de lateral que o Milan precisava naquele momento. O problema não foi só o racismo - foi também a falta de adaptação tática. Mas o que ele descreveu é real, sim. E o silêncio do clube é uma falha grave. Não é só sobre gols, é sobre humanidade.

  • dezembro 21, 2025
Afonso Pereira
Afonso Pereira

Exatamente. O sistema de mídia italiana opera em um modelo de othering: o negro é o símbolo da falha, não o sistema. É um mecanismo de desumanização estrutural. O futebol não é um esporte, é um campo de batalha ideológica. E o Royal foi o sacrifício. 🧠

  • dezembro 22, 2025
Wanderson Henrique Gomes
Wanderson Henrique Gomes

É importante lembrar que, apesar de todas as dificuldades, ele não desistiu. Voltou ao Brasil, se reconectou com sua raiz, e está sendo valorizado novamente. Isso é força. E o fato de ele não ter nomeado seu "salvador" mostra que, às vezes, a ajuda mais importante vem de pessoas que não querem fama - só ver alguém se levantar.

  • dezembro 22, 2025
Gabriel Nunes
Gabriel Nunes

kkkkkkkkk ele é um zagueiro, nao lateral, nao tem que fazer assistencia, ele e um defensor, nao um atacante, e ainda assim ta sendo criticado por nao fazer gols? isso e ridiculo. o que ele falou e verdade, mas nao adianta fingir que ele e um genio, ele e um jogador mediano que foi maltratado. e o milan nao responde porque nao tem nada pra dizer, ele nao foi bom

  • dezembro 24, 2025
Luiz André Dos Santo Gomes
Luiz André Dos Santo Gomes

Eu tô aqui pensando... será que a gente não tá projetando nossas próprias inseguranças nos jogadores negros? Quando um branco erra, é "falha técnica". Quando um negro erra, vira "não pertence aqui". É como se a cor dele fosse um erro de programação da sociedade. E o pior? A gente nem percebe que tá participando disso. 😔

  • dezembro 25, 2025
Volney Nazareno
Volney Nazareno

As informações apresentadas são factualmente corretas, mas a análise sociológica exagera o impacto individual. O futebol é um negócio, e o desempenho é o critério primário. Ainda assim, o contexto emocional descrito é relevante e merece atenção institucional.

  • dezembro 25, 2025
Dayane Lima
Dayane Lima

mas e se ele tivesse feito um gol? aí seria diferente? ou só porque ele é negro, qualquer coisa que ele fizer vai ser ignorada? tipo... se ele tivesse marcado, ninguém falaria "olha o negro que marcou"? ou só falaria "olha o lateral que marcou"? só queria entender

  • dezembro 26, 2025
Rodrigo Eduardo
Rodrigo Eduardo

ele foi mal e saiu. ponto. nao tem mais o que falar. o mundo nao gira em volta de um jogador que nao rendeu

  • dezembro 27, 2025
João Victor Viana Fernandes
João Victor Viana Fernandes

Tem algo profundamente triste nisso tudo: ele não pediu para ser um símbolo. Ele só queria jogar futebol. Mas quando você é negro, em um ambiente que não te vê como igual, até o simples ato de respirar vira um ato político. Ele não escolheu ser a voz de uma geração. A sociedade o impôs. E agora, ao voltar ao Brasil, ele não está fugindo - está se reencontrando. E talvez, só talvez, isso seja o verdadeiro gol. 🕊️

  • dezembro 29, 2025

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